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Crescimento e operações

Pool de opções: quanto reservar e como ele afeta o cap table

Tamanho, momento de criação e quem suporta a diluição: como definir o pool de opções e o que muda no cap table.

Gabriel SerafinGabriel SerafinOAB/PR 131.16010 min de leituraPublicado em 25 de setembro de 2026

Em resumo

Pool de opções é a fatia do capital reservada para futuras outorgas ao time. O tamanho sai de uma conta: quem precisa entrar até o próximo marco da empresa e quanto a oferta precisa significar para quem recebe. O momento de criação, antes ou depois de uma rodada, define quem suporta a diluição.

Três perguntas sobre o pool de opções

Pergunta 1 de 3

A sua empresa já tem, ou pretende criar, um plano de opções para o time?

Não existe tamanho padrão de pool, e vale desconfiar de quem apresentar uma faixa como regra. O que existe é um método para chegar ao número certo para a sua empresa, e uma negociação previsível quando entra um investidor.

O pool é uma das peças de um plano de opções, cuja montagem completa está em plano de stock options. Se você quer dimensionar o pool da sua empresa, veja como funciona o trabalho de vesting e partnership.

O que é o pool, na prática

O pool não é um lugar onde as ações ficam guardadas. É uma reserva: a sociedade decide, antes de oferecer opções a qualquer pessoa, quanto do capital pode ser comprometido com o programa.

Na sociedade anônima, essa reserva se apoia no capital autorizado previsto no estatuto: as ações só são emitidas quando alguém exerce a opção (art. 168, § 3º, da Lei das S.A.). Até lá, o pool é um limite, não um conjunto de ações emitidas.

Na limitada, não há capital autorizado. O pool é uma reserva contratual, e as quotas entregues no exercício vêm de cessão pelos sócios, de aumento de capital ou de quotas que a sociedade mantém em tesouraria, como explicado em vesting na Ltda.

Em qualquer dos dois tipos, o pool aparece no cap table totalmente diluído: o quadro que mostra a participação de cada um como se todas as opções reservadas já tivessem sido exercidas. É esse quadro que o investidor analisa. A lógica geral de diluição está em valuation e cap table.

A conta do tamanho

O tamanho do pool resulta de uma conta de baixo para cima, e não de um percentual escolhido de cima para baixo.

1. Liste quem precisa entrar até o próximo marco. O marco pode ser a próxima rodada, uma venda planejada ou uma sucessão. Quantas pessoas-chave a empresa precisa contratar até lá, em quais funções?

2. Defina quanto cada oferta precisa significar. Para cada função, qual participação torna a oferta relevante para quem recebe? Uma diretoria e um cargo técnico inicial não pedem a mesma coisa.

3. Some o time atual. Pessoas que já estão na empresa e vão receber opções, ou reforços de outorgas já feitas, entram na conta.

4. Deixe uma margem. Contratações não planejadas acontecem. Uma margem evita recriar o pool no meio do caminho.

5. Compare com o limite do controle. A soma precisa caber no quanto os sócios aceitam abrir sem que as decisões saiam de quem hoje decide.

Se o resultado da conta não cabe no limite do controle, há duas saídas: rever as ofertas ou rever o plano de contratações. Aumentar o pool sem rever nenhuma das duas só adia o problema.

Quando criar o pool

O momento certo para criar o pool é antes da primeira promessa. Na prática, ele costuma nascer em um de três momentos.

Na primeira contratação-chave. Quando a empresa vai oferecer opções pela primeira vez, criar o pool nesse momento obriga a pensar nas próximas ofertas, e não só na atual.

Antes de uma rodada. É o momento em que o investidor vai perguntar pelo pool, e em que a conta do plano de contratações precisa estar pronta.

Na conversão para sociedade anônima. Quando a limitada vira S.A., o estatuto pode prever o capital autorizado desde o início, já dimensionado para o plano.

O pior momento é depois de várias promessas feitas em conversas e e-mails. Aí o pool deixa de ser uma decisão e passa a ser a soma do que já foi prometido.

Antes ou depois da rodada: quem suporta a diluição

Quando um investidor entra, o momento de criação ou ampliação do pool muda quem é diluído. Os números abaixo são ilustrativos, só para mostrar o mecanismo, e não uma faixa recomendada.

Imagine uma rodada em que o investidor fica com 20% da empresa e um pool de 10% precisa existir depois dela.

Momento de criação do pool, Fundadores, Investidor, Pool
Momento de criação do poolFundadoresInvestidorPool
Antes da rodada (pré-money)70%20%10%
Depois da rodada (pós-money)72%18%10%

No pool criado antes da rodada, os 20% do investidor são calculados sobre a empresa já com o pool, e toda a diluição do pool fica com os fundadores. No pool criado depois, todos os que estão no quadro são diluídos na proporção da participação, inclusive o investidor.

Por isso é comum o investidor pedir que o pool seja criado ou ampliado antes da rodada, dimensionado para as contratações até a próxima. É uma negociação legítima, e o argumento mais forte dos fundadores é a conta: um pool sustentado por um plano de contratações realista é mais difícil de inflar do que um percentual escolhido sem base. A negociação acontece no term sheet, e os cuidados do plano na rodada estão em plano de opções na rodada.

Governança do pool

Criar o pool é a parte fácil. Administrá-lo ao longo dos anos é o que evita surpresas.

Quem aprova cada outorga. O regulamento do plano define quem decide: o conselho, a diretoria ou os sócios, com limites por outorga. Sem essa regra, cada outorga vira negociação individual. O conteúdo do regulamento está em regulamento do plano de opções.

O controle do que já foi outorgado. Um registro atualizado, com cada outorga, quantidade, preço, cronograma e situação, é o que permite saber a qualquer momento quanto do pool ainda está disponível. Promessas feitas fora desse registro, por e-mail ou em conversa, são a origem mais comum de pools estourados.

O retorno de opções. Quando alguém sai antes de consolidar as opções, a parte não consolidada se extingue. O regulamento deve dizer que essas opções voltam ao pool e podem ser outorgadas de novo. A classificação das saídas está em good leaver e bad leaver.

A recomposição. A cada rodada, o pool costuma ser revisto: parte foi usada, parte voltou, e o plano de contratações mudou. A recomposição é uma decisão dos sócios, com efeito de diluição, e precisa ser tratada como tal.

O pool na limitada: o que precisa estar escrito

Sem capital autorizado, o pool da limitada depende de compromissos assumidos antes da primeira outorga. O acordo de sócios ou o regulamento do plano precisa dizer:

o limite total

de quotas que podem ser comprometidas com o programa;

de onde virão as quotas

no exercício: cessão pelos sócios, aumento de capital ou quotas em tesouraria;

o compromisso dos sócios

de renunciar ou ceder a preferência em aumentos de capital feitos para atender ao exercício das opções;

a regra de diluição:

se todos os sócios são diluídos na proporção das suas quotas ou se algum deles suporta sozinho a entrega.

Sem esses pontos, cada exercício de opção depende de uma nova negociação entre os sócios, e o beneficiário fica com um direito que ninguém se comprometeu a cumprir.

O que um programa amplo exige

Alguns programas alcançam quase toda a empresa, e não só a liderança. Um exemplo público: segundo anúncio da empresa noticiado em janeiro de 2021, cerca de 80% dos colaboradores do Nubank se tornaram sócios em 2020, por meio de ações restritas vinculadas ao tempo de casa. Em dezembro de 2021, a empresa abriu capital, captando US$ 2,6 bilhões.

O exemplo ensina duas coisas. A primeira: um programa amplo exige um pool proporcional a essa ambição, e isso precisa estar na conta desde o início. A segunda: é a liquidez que transforma participação em patrimônio. Sem um caminho de liquidez, o pool mais bem desenhado continua sendo uma promessa.

Fundadores ficam fora do pool

O pool é para o time que ainda vai entrar ou ser reconhecido. A participação dos fundadores tem outra lógica, com vesting próprio, tratado em vesting entre sócios. Misturar as duas coisas, usando o pool para ajustar a participação de um fundador, distorce a conta e costuma gerar desconfiança no investidor.

Erros que estouram o pool

Prometer antes de ter o pool

Ofertas feitas antes de a reserva existir obrigam a criar o pool do tamanho das promessas, e não do plano.

Percentuais soltos, sem base

"Você terá 1%" sem dizer de qual capital cria discussão a cada nova emissão.

Não registrar as outorgas

Sem registro, ninguém sabe quanto sobra.

Esquecer os reforços

Pessoas que ficam anos na empresa costumam receber novas outorgas, e elas precisam caber no pool.

Não prever o retorno

Opções extintas que não voltam ao pool obrigam a recompor a reserva antes da hora.

Por onde começar

  1. 1

    Liste o plano de contratações até o próximo marco.

  2. 2

    Some as promessas já feitas e as outorgas existentes.

  3. 3

    Defina a oferta de cada função e faça a conta de baixo para cima.

  4. 4

    Confira o limite do controle e, na S.A., o capital autorizado.

  5. 5

    Escreva no regulamento quem aprova, como se registra e o que acontece com as opções que voltam.

Um pool bem dimensionado não é custo: é capacidade de crescer. Ele permite contratar as pessoas certas no ritmo do negócio, sem reabrir a discussão sobre o capital a cada nova oferta.

Próximo passo

O pool certo depende do plano de contratações, do que já foi prometido e das regras que a sociedade já tem. No diagnóstico, esses pontos são mapeados antes de qualquer documento ser escrito.

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Este conteúdo é informativo e reflete a legislação vigente na data de atualização. Ele não substitui a análise da situação concreta de cada sociedade.

Perguntas frequentes

É comum o investidor pedir que o pool seja criado ou ampliado antes da rodada, dimensionado para as contratações até a próxima. O tamanho e o momento de criação são negociáveis, e o argumento mais forte dos fundadores é um plano de contratações realista.

Continua disponível para outorgas futuras, nos termos do regulamento, ou é cancelado no momento que o plano definir. Como opções não outorgadas não são ações emitidas, não há o que devolver: há uma reserva que deixa de existir ou que continua disponível.

Entra no cap table totalmente diluído, que mostra a participação de cada um como se todas as opções reservadas já tivessem sido exercidas. É o quadro que investidores e compradores analisam.

Não. O tamanho resulta de uma conta entre o plano de contratações até o próximo marco, o que cada oferta precisa significar e quanto controle os sócios aceitam dividir. Percentuais apresentados como padrão ignoram essa conta.

Não. O pool é a reserva de capital que pode ser comprometida com o programa. O plano é o conjunto de regras que define quem recebe, como, a que preço e o que acontece na saída. O pool existe dentro do plano: sem regras, a reserva não tem como ser usada de forma consistente.

Fontes

Agendar diagnóstico

Estruturar a sociedade começa por entender a que já existe.

Diagnóstico de Risco Societário

Uma conversa de 60 minutos por vídeo em que eu entendo a situação atual, quem são os sócios e onde a empresa está mais exposta hoje.

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Gabriel Serafin

Gabriel Serafin

Advogado Societário e Empresarial · OAB/PR 131.160

Gabriel Serafin é advogado (OAB/PR 131.160), formado em Direito pela UDC e pós-graduando em Direito Empresarial pela PUC-RS. Antes da advocacia, passou cinco anos no mercado, em vendas, marketing digital e estratégia de negócios. Hoje concentra a atuação em direito societário e empresarial, com atendimento online para empresas de todo o Brasil.

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