Em resumo
Pool de opções é a fatia do capital reservada para futuras outorgas ao time. O tamanho sai de uma conta: quem precisa entrar até o próximo marco da empresa e quanto a oferta precisa significar para quem recebe. O momento de criação, antes ou depois de uma rodada, define quem suporta a diluição.
Três perguntas sobre o pool de opções
Pergunta 1 de 3
A sua empresa já tem, ou pretende criar, um plano de opções para o time?
Não existe tamanho padrão de pool, e vale desconfiar de quem apresentar uma faixa como regra. O que existe é um método para chegar ao número certo para a sua empresa, e uma negociação previsível quando entra um investidor.
O pool é uma das peças de um plano de opções, cuja montagem completa está em plano de stock options. Se você quer dimensionar o pool da sua empresa, veja como funciona o trabalho de vesting e partnership.
O que é o pool, na prática
O pool não é um lugar onde as ações ficam guardadas. É uma reserva: a sociedade decide, antes de oferecer opções a qualquer pessoa, quanto do capital pode ser comprometido com o programa.
Na sociedade anônima, essa reserva se apoia no capital autorizado previsto no estatuto: as ações só são emitidas quando alguém exerce a opção (art. 168, § 3º, da Lei das S.A.). Até lá, o pool é um limite, não um conjunto de ações emitidas.
Na limitada, não há capital autorizado. O pool é uma reserva contratual, e as quotas entregues no exercício vêm de cessão pelos sócios, de aumento de capital ou de quotas que a sociedade mantém em tesouraria, como explicado em vesting na Ltda.
Em qualquer dos dois tipos, o pool aparece no cap table totalmente diluído: o quadro que mostra a participação de cada um como se todas as opções reservadas já tivessem sido exercidas. É esse quadro que o investidor analisa. A lógica geral de diluição está em valuation e cap table.
A conta do tamanho
O tamanho do pool resulta de uma conta de baixo para cima, e não de um percentual escolhido de cima para baixo.
1. Liste quem precisa entrar até o próximo marco. O marco pode ser a próxima rodada, uma venda planejada ou uma sucessão. Quantas pessoas-chave a empresa precisa contratar até lá, em quais funções?
2. Defina quanto cada oferta precisa significar. Para cada função, qual participação torna a oferta relevante para quem recebe? Uma diretoria e um cargo técnico inicial não pedem a mesma coisa.
3. Some o time atual. Pessoas que já estão na empresa e vão receber opções, ou reforços de outorgas já feitas, entram na conta.
4. Deixe uma margem. Contratações não planejadas acontecem. Uma margem evita recriar o pool no meio do caminho.
5. Compare com o limite do controle. A soma precisa caber no quanto os sócios aceitam abrir sem que as decisões saiam de quem hoje decide.
Se o resultado da conta não cabe no limite do controle, há duas saídas: rever as ofertas ou rever o plano de contratações. Aumentar o pool sem rever nenhuma das duas só adia o problema.
Quando criar o pool
O momento certo para criar o pool é antes da primeira promessa. Na prática, ele costuma nascer em um de três momentos.
Na primeira contratação-chave. Quando a empresa vai oferecer opções pela primeira vez, criar o pool nesse momento obriga a pensar nas próximas ofertas, e não só na atual.
Antes de uma rodada. É o momento em que o investidor vai perguntar pelo pool, e em que a conta do plano de contratações precisa estar pronta.
Na conversão para sociedade anônima. Quando a limitada vira S.A., o estatuto pode prever o capital autorizado desde o início, já dimensionado para o plano.
O pior momento é depois de várias promessas feitas em conversas e e-mails. Aí o pool deixa de ser uma decisão e passa a ser a soma do que já foi prometido.
Antes ou depois da rodada: quem suporta a diluição
Quando um investidor entra, o momento de criação ou ampliação do pool muda quem é diluído. Os números abaixo são ilustrativos, só para mostrar o mecanismo, e não uma faixa recomendada.
Imagine uma rodada em que o investidor fica com 20% da empresa e um pool de 10% precisa existir depois dela.
| Momento de criação do pool | Fundadores | Investidor | Pool |
|---|---|---|---|
| Antes da rodada (pré-money) | 70% | 20% | 10% |
| Depois da rodada (pós-money) | 72% | 18% | 10% |
No pool criado antes da rodada, os 20% do investidor são calculados sobre a empresa já com o pool, e toda a diluição do pool fica com os fundadores. No pool criado depois, todos os que estão no quadro são diluídos na proporção da participação, inclusive o investidor.
Por isso é comum o investidor pedir que o pool seja criado ou ampliado antes da rodada, dimensionado para as contratações até a próxima. É uma negociação legítima, e o argumento mais forte dos fundadores é a conta: um pool sustentado por um plano de contratações realista é mais difícil de inflar do que um percentual escolhido sem base. A negociação acontece no term sheet, e os cuidados do plano na rodada estão em plano de opções na rodada.
Governança do pool
Criar o pool é a parte fácil. Administrá-lo ao longo dos anos é o que evita surpresas.
Quem aprova cada outorga. O regulamento do plano define quem decide: o conselho, a diretoria ou os sócios, com limites por outorga. Sem essa regra, cada outorga vira negociação individual. O conteúdo do regulamento está em regulamento do plano de opções.
O controle do que já foi outorgado. Um registro atualizado, com cada outorga, quantidade, preço, cronograma e situação, é o que permite saber a qualquer momento quanto do pool ainda está disponível. Promessas feitas fora desse registro, por e-mail ou em conversa, são a origem mais comum de pools estourados.
O retorno de opções. Quando alguém sai antes de consolidar as opções, a parte não consolidada se extingue. O regulamento deve dizer que essas opções voltam ao pool e podem ser outorgadas de novo. A classificação das saídas está em good leaver e bad leaver.
A recomposição. A cada rodada, o pool costuma ser revisto: parte foi usada, parte voltou, e o plano de contratações mudou. A recomposição é uma decisão dos sócios, com efeito de diluição, e precisa ser tratada como tal.
O pool na limitada: o que precisa estar escrito
Sem capital autorizado, o pool da limitada depende de compromissos assumidos antes da primeira outorga. O acordo de sócios ou o regulamento do plano precisa dizer:
o limite total
de quotas que podem ser comprometidas com o programa;
de onde virão as quotas
no exercício: cessão pelos sócios, aumento de capital ou quotas em tesouraria;
o compromisso dos sócios
de renunciar ou ceder a preferência em aumentos de capital feitos para atender ao exercício das opções;
a regra de diluição:
se todos os sócios são diluídos na proporção das suas quotas ou se algum deles suporta sozinho a entrega.
Sem esses pontos, cada exercício de opção depende de uma nova negociação entre os sócios, e o beneficiário fica com um direito que ninguém se comprometeu a cumprir.
O que um programa amplo exige
Alguns programas alcançam quase toda a empresa, e não só a liderança. Um exemplo público: segundo anúncio da empresa noticiado em janeiro de 2021, cerca de 80% dos colaboradores do Nubank se tornaram sócios em 2020, por meio de ações restritas vinculadas ao tempo de casa. Em dezembro de 2021, a empresa abriu capital, captando US$ 2,6 bilhões.
O exemplo ensina duas coisas. A primeira: um programa amplo exige um pool proporcional a essa ambição, e isso precisa estar na conta desde o início. A segunda: é a liquidez que transforma participação em patrimônio. Sem um caminho de liquidez, o pool mais bem desenhado continua sendo uma promessa.
Fundadores ficam fora do pool
O pool é para o time que ainda vai entrar ou ser reconhecido. A participação dos fundadores tem outra lógica, com vesting próprio, tratado em vesting entre sócios. Misturar as duas coisas, usando o pool para ajustar a participação de um fundador, distorce a conta e costuma gerar desconfiança no investidor.
Erros que estouram o pool
Prometer antes de ter o pool
Ofertas feitas antes de a reserva existir obrigam a criar o pool do tamanho das promessas, e não do plano.
Percentuais soltos, sem base
"Você terá 1%" sem dizer de qual capital cria discussão a cada nova emissão.
Não registrar as outorgas
Sem registro, ninguém sabe quanto sobra.
Esquecer os reforços
Pessoas que ficam anos na empresa costumam receber novas outorgas, e elas precisam caber no pool.
Não prever o retorno
Opções extintas que não voltam ao pool obrigam a recompor a reserva antes da hora.
Por onde começar
- 1
Liste o plano de contratações até o próximo marco.
- 2
Some as promessas já feitas e as outorgas existentes.
- 3
Defina a oferta de cada função e faça a conta de baixo para cima.
- 4
Confira o limite do controle e, na S.A., o capital autorizado.
- 5
Escreva no regulamento quem aprova, como se registra e o que acontece com as opções que voltam.
Um pool bem dimensionado não é custo: é capacidade de crescer. Ele permite contratar as pessoas certas no ritmo do negócio, sem reabrir a discussão sobre o capital a cada nova oferta.
Próximo passo
O pool certo depende do plano de contratações, do que já foi prometido e das regras que a sociedade já tem. No diagnóstico, esses pontos são mapeados antes de qualquer documento ser escrito.
Este conteúdo é informativo e reflete a legislação vigente na data de atualização. Ele não substitui a análise da situação concreta de cada sociedade.
Perguntas frequentes
É comum o investidor pedir que o pool seja criado ou ampliado antes da rodada, dimensionado para as contratações até a próxima. O tamanho e o momento de criação são negociáveis, e o argumento mais forte dos fundadores é um plano de contratações realista.
Continua disponível para outorgas futuras, nos termos do regulamento, ou é cancelado no momento que o plano definir. Como opções não outorgadas não são ações emitidas, não há o que devolver: há uma reserva que deixa de existir ou que continua disponível.
Entra no cap table totalmente diluído, que mostra a participação de cada um como se todas as opções reservadas já tivessem sido exercidas. É o quadro que investidores e compradores analisam.
Não. O tamanho resulta de uma conta entre o plano de contratações até o próximo marco, o que cada oferta precisa significar e quanto controle os sócios aceitam dividir. Percentuais apresentados como padrão ignoram essa conta.
Não. O pool é a reserva de capital que pode ser comprometida com o programa. O plano é o conjunto de regras que define quem recebe, como, a que preço e o que acontece na saída. O pool existe dentro do plano: sem regras, a reserva não tem como ser usada de forma consistente.
Fontes
- Lei 6.404/1976 (Lei das S.A.): art. 168, § 3º.
Gabriel Serafin