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Incentivo de longo prazo (ILP): como escolher o formato para executivos

Opções, ações restritas, matching, phantom e bônus diferido: como escolher o incentivo de longo prazo para executivos e os riscos de cada formato.

Gabriel SerafinGabriel SerafinOAB/PR 131.16012 min de leituraPublicado em 25 de setembro de 2026

Em resumo

Incentivo de longo prazo, ou ILP, é a parte do pacote de um executivo que só se realiza depois de alguns anos e depende do valor da empresa ou de resultados de longo prazo. Os formatos mais usados são opções de compra de ações, ações restritas, matching shares, phantom shares e bônus diferido. A escolha depende de quatro fatores: se a empresa quer dividir capital, quanto caixa tem, qual o horizonte de liquidez e como cada formato tende a ser lido pelo Fisco e pela Justiça do Trabalho.

Três perguntas sobre o incentivo dos executivos

Pergunta 1 de 3

A sua empresa oferece, ou pretende oferecer, um incentivo de longo prazo aos seus executivos?

O ILP responde a um problema que o bônus anual não resolve. O bônus premia o resultado do ano; o ILP amarra o executivo aos resultados dos próximos anos, e faz com que parte relevante do que ele pode ganhar dependa do que a empresa vai valer.

Este artigo compara os formatos para quem desenha o pacote. A montagem de um plano de opções está em plano de stock options, e, se você quer estruturar o incentivo dos executivos da sua empresa, veja como funciona o trabalho de vesting e partnership.

O que diferencia o ILP de um bônus

Três características definem um incentivo de longo prazo:

Horizonte

O ganho só se realiza depois de um período, normalmente de alguns anos, e não ao fim do exercício.

Condição

Há um cronograma de aquisição, o vesting, e muitas vezes metas de desempenho de longo prazo.

Vínculo com valor

O valor do incentivo acompanha, direta ou indiretamente, o valor da empresa ou indicadores de longo prazo.

Um bônus anual pago em três parcelas não vira ILP só por ser parcelado. Sem a ligação com o valor da empresa ou com metas de longo prazo, ele continua sendo remuneração variável com pagamento diferido.

Os cinco formatos

Opções de compra de ações

O executivo recebe o direito de comprar ações por um preço definido hoje, depois de cumpridas as condições. Ganha se a empresa se valorizar acima do preço de exercício. Na sociedade anônima, tem base legal própria (art. 168, § 3º, da Lei das S.A.), e é o formato alcançado pela tese do STJ que reconheceu a natureza mercantil desses planos para o imposto de renda (Tema 1226).

Ações restritas

O executivo recebe ações, ou o direito de recebê-las, sem pagar preço, depois de cumpridas as condições de tempo ou de desempenho. Quando a entrega depende de metas, costuma-se falar em ações por desempenho. Por serem entregues sem pagamento, ficam fora da lógica de onerosidade que sustentou a tese do STJ. As questões de tributação de ações restritas de empresas estrangeiras estão em RSU e imposto de renda.

Matching shares

O executivo investe recursos próprios na compra de ações da empresa e, se mantiver as ações e permanecer pelo período definido, recebe ações adicionais em contrapartida. Combina investimento e retenção. O funcionamento e os riscos estão em matching shares.

Phantom shares e direitos sobre a valorização

O executivo recebe o direito a um pagamento em dinheiro calculado sobre o valor ou a valorização da empresa, sem receber ações. Não há diluição, mas quem paga é a empresa, e o pagamento tende a ser tratado como remuneração. A comparação com as opções está em stock options e phantom shares, e a aplicação na limitada em phantom shares na Ltda.

Bônus diferido

Parte do bônus é paga anos depois, condicionada à permanência ou a metas de longo prazo. É o formato mais simples de implementar e o que menos se parece com participação: é remuneração em dinheiro, com os tributos e encargos correspondentes. A retenção por meio de bônus é o tema de bônus de retenção.

Os formatos lado a lado

Formato, Dilui o capital?, Quem desembolsa, Tendência de natureza, Liquidez para o executivo
FormatoDilui o capital?Quem desembolsaTendência de naturezaLiquidez para o executivo
Opções de compraSim, no exercícioO executivo, no exercícioMercantil, se houver preço real, adesão voluntária e riscoDepende de venda da empresa ou de mercado
Ações restritasSim, na entregaNinguém paga preçoEm discussão; a gratuidade pesa para remuneraçãoDepende de venda da empresa ou de mercado
Matching sharesSim, na entrega da contrapartidaO executivo, na compraParte comprada tende a mercantil; contrapartida tende a remuneraçãoDepende de venda da empresa ou de mercado
Phantom sharesNãoA empresa, em dinheiroRemuneraçãoNo evento previsto, em dinheiro
Bônus diferidoNãoA empresa, em dinheiroRemuneraçãoNa data prevista, em dinheiro

A tabela mostra o dilema central: os formatos que não diluem custam caixa e tendem a ser remuneração; os que dividem capital poupam caixa, mas exigem estrutura societária e têm natureza que depende do desenho.

Natureza e tributação: o que se sabe hoje

Opções de compra. No Tema 1226, o STJ fixou que o plano de opção de compra de ações da sociedade anônima tem natureza mercantil para o imposto de renda: não há imposto na compra das ações, e há imposto sobre o ganho de capital na venda. A contribuição previdenciária aguarda o Tema 1379, sem tese fixada até a data desta atualização. O quadro está em tributação de stock options.

Formatos sem pagamento pelo executivo. Ações restritas, contrapartidas de matching, phantom shares e bônus diferido não reúnem os três elementos que sustentaram a tese: preço real, adesão voluntária e risco. A leitura mais provável é a de remuneração, com imposto de renda na tabela progressiva e risco de encargos.

Bônus e prêmios na visão do CARF. Num julgamento posterior ao Tema 1226, uma turma do CARF afastou a contribuição sobre as opções, mas manteve a cobrança sobre um bônus de contratação condicionado à permanência mínima e sobre prêmios por desempenho sem comprovação de desempenho superior ao esperado, seguindo a posição restritiva da Receita sobre prêmios. É um sinal claro de que o rótulo não protege o formato: o que decide é como ele funciona. A leitura trabalhista e previdenciária está em stock options e salário.

Quem aprova o ILP

Na sociedade anônima, duas regras de governança se aplicam.

O plano de opções precisa ser aprovado pela assembleia geral, dentro do capital autorizado previsto no estatuto (art. 168, § 3º, da Lei das S.A.).

A remuneração dos administradores tem o montante global ou individual fixado pela assembleia geral, inclusive benefícios de qualquer natureza (art. 152 da Lei das S.A.). O ILP dos diretores estatutários entra nessa conta e precisa caber no que a assembleia aprovou.

Nas companhias abertas, há ainda as regras de divulgação da CVM sobre remuneração baseada em ações. Na limitada, a aprovação segue o que o contrato social e o acordo de sócios definirem, e deve ser registrada em deliberação dos sócios.

Quando o incentivo é pago em ações, o executivo passa a ser acionista e precisa conhecer as regras que valem depois da entrega, como restrições de venda, direito de preferência e venda conjunta, normalmente previstas no acordo de acionistas.

Executivo empregado ou diretor estatutário

A mesma pessoa pode ocupar posições jurídicas diferentes. O executivo empregado tem contrato de trabalho, e o ILP é avaliado também sob a lente trabalhista. O diretor estatutário, eleito pelo órgão competente e sem vínculo de emprego, tem outra relação com a empresa, e a análise se concentra na natureza societária e tributária. Quando o executivo também é sócio, a distinção entre a remuneração pelo trabalho e a remuneração do capital ganha peso, como explicado em pró-labore ou distribuição de lucros.

O desenho do ILP precisa partir dessa distinção, porque ela muda os riscos de cada formato. A remuneração de executivos em ações, em detalhe, é o tema de remuneração em ações.

As cláusulas que todo ILP precisa ter

Vesting:

o cronograma de aquisição, com ou sem cliff.

Condições de desempenho:

metas objetivas e mensuráveis, quando houver, com regra de apuração.

Saída:

o que acontece em cada tipo de desligamento, na lógica de good leaver e bad leaver.

Mudança de controle:

se o incentivo acelera na venda da empresa, e de que forma, tema de aceleração de vesting.

Redução e devolução:

cláusulas que reduzem o incentivo antes do pagamento ou exigem a devolução do que foi pago em caso de conduta grave ou de resultados revistos, conhecidas como malus e clawback. Precisam de critérios objetivos para funcionar.

Restrições de venda:

prazos de indisponibilidade das ações recebidas.

Ajustes:

o que acontece com o incentivo em desdobramentos, grupamentos e reorganizações.

Tempo ou desempenho

O incentivo pode depender só do tempo de permanência, de metas de desempenho ou dos dois.

Só tempo é simples de administrar e de explicar, mas remunera a permanência, e não o resultado.

Desempenho alinha o executivo a objetivos concretos, como crescimento de receita, margem ou retorno ao acionista, mas exige métricas objetivas e um procedimento de apuração que não dependa da interpretação de uma das partes.

Os dois combinados costumam ser o desenho mais equilibrado para a alta liderança: uma parte por tempo, que retém, e outra por desempenho, que alinha.

E na limitada?

A limitada também pode ter ILP, com adaptações. A opção de compra de quotas é o equivalente às opções, construída por contrato, como explicado em stock options na Ltda. Phantom shares e bônus diferido funcionam da mesma forma que na sociedade anônima.

O formato que menos se adapta à limitada é a entrega gratuita de quotas, equivalente às ações restritas: na limitada, a quota não pode ser paga com trabalho, e a gratuidade tende a ser lida como remuneração. O tema está em sócio de serviço.

Como escolher: quatro perguntas

  1. 1

    A empresa quer dividir capital?

    Se não, phantom shares ou bônus diferido. Se sim, opções, ações restritas ou matching.

  2. 2

    Quanto caixa a empresa tem?

    Formatos pagos em dinheiro exigem caixa no vencimento. Formatos em ações custam diluição.

  3. 3

    Qual o horizonte de liquidez?

    Sem perspectiva de venda ou de mercado para as ações, incentivos em ações podem valer pouco aos olhos do executivo, e um formato em dinheiro pode reter mais.

  4. 4

    Qual o risco aceitável de natureza?

    Opções com preço real, adesão voluntária e risco têm o suporte da tese do STJ para o imposto de renda. Os demais formatos pedem provisão para a leitura de remuneração.

O que o executivo avalia numa proposta de ILP

Do outro lado da mesa, o executivo que recebe uma proposta de ILP costuma olhar para cinco pontos: o valor provável do incentivo em cenários diferentes, quando ele pode virar dinheiro, o que acontece se ele sair ou for desligado, o que acontece numa venda da empresa e como será tributado. Uma proposta que responde a essas perguntas por escrito retém mais do que uma proposta com número alto e regras vagas. A avaliação pelo lado de quem recebe está em proposta de vesting.

Erros comuns

Chamar de ILP um bônus parcelado,

sem ligação com valor ou metas de longo prazo.

Escolher o formato pelo rótulo,

sem avaliar como ele funciona e como tende a ser lido.

Metas vagas,

que viram discussão no momento da apuração.

Ignorar a assembleia,

concedendo incentivos a diretores estatutários fora do montante aprovado.

Não prever a mudança de controle,

deixando a solução para o comprador.

Não provisionar,

em formatos com leitura provável de remuneração.

Próximo passo

O formato certo de ILP depende do tipo societário, do caixa, do horizonte de liquidez e do perfil de quem recebe. No diagnóstico, esses pontos são mapeados antes de qualquer documento ser escrito.

Agendar diagnóstico

Este conteúdo é informativo e reflete a legislação vigente na data de atualização. Ele não substitui a análise da situação concreta de cada sociedade.

Perguntas frequentes

Depende do formato e do desenho. Opções com preço real, adesão voluntária e risco tendem a ser lidas como mercantis, com a tese do STJ para o imposto de renda. Formatos pagos em dinheiro ou entregues sem pagamento, como phantom shares, bônus diferido e ações restritas, tendem a ser tratados como remuneração.

Não há um formato mais adequado em abstrato. Opções e ações restritas são os mais conhecidos quando a empresa aceita dividir capital; phantom shares e bônus diferido são frequentes quando ela não quer diluir. A escolha sai das quatro perguntas: capital, caixa, liquidez e risco de natureza.

Na sociedade anônima, o plano de opções precisa ser aprovado pela assembleia geral, e a remuneração dos administradores, inclusive o ILP dos diretores estatutários, tem o montante fixado por ela. Na limitada, a aprovação segue o contrato social e o acordo de sócios.

Dá, com adaptações: opção de compra de quotas, phantom shares e bônus diferido funcionam na limitada. A entrega gratuita de quotas é o formato que menos se adapta, pelos riscos de leitura como remuneração.

Malus é a redução do incentivo antes do pagamento, e clawback é a devolução do que já foi pago, em situações como conduta grave ou revisão de resultados. Para funcionarem, precisam de critérios objetivos escritos no plano.

Pode. O mesmo raciocínio vale para gestores e profissionais-chave. O que muda é a escala: planos amplos exigem regulamento, reserva de capital e critérios de elegibilidade claros, como explicado em pool de opções.

Fontes

Agendar diagnóstico

Estruturar a sociedade começa por entender a que já existe.

Diagnóstico de Risco Societário

Uma conversa de 60 minutos por vídeo em que eu entendo a situação atual, quem são os sócios e onde a empresa está mais exposta hoje.

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Gabriel Serafin

Gabriel Serafin

Advogado Societário e Empresarial · OAB/PR 131.160

Gabriel Serafin é advogado (OAB/PR 131.160), formado em Direito pela UDC e pós-graduando em Direito Empresarial pela PUC-RS. Antes da advocacia, passou cinco anos no mercado, em vendas, marketing digital e estratégia de negócios. Hoje concentra a atuação em direito societário e empresarial, com atendimento online para empresas de todo o Brasil.

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